Turismo Cemiterial


Cemitérios são lugares fascinantes, cheios de curiosidades, símbolos, obras de arte e mistérios. O lugar escolhido para o repouso eterno de entes queridos pode ser também uma ilha de silêncio e paz, onde se pode repensar a vida, e caminhar por dentro de si mesmo. A arte cemiterial possui peculiaridades que convidam a uma análise minuciosa, desprovida de preconceitos.
Visite um cemitério. A morte faz parte da vida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Danos produzidos aos cemitérios pelo terremoto no Chile


Os primeiros informes relatam que embora tenha havido alguma destruição, a maior parte do acervo artistico e arquitetônico dos principais cemitérios resistiu ao abalo. Os estragos nos cemitérios foram considerados menores do que os observados no abalo de 1985.
Já foram iniciadas medidas para coibir furtos e vandalismo,  e evitar a remoção de escombros.
E espera-se privilegiar a restauração ao invés das demolições. Membros do projeto "La Ciudad de los muertos" já estão trabalhando na avaliação dos danos e recuperação.




Fonte: http://www.laciudaddelosmuertos.org/

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Arqueólogos encontram antigos poços funerários no norte do Amapá

Sítio tem cerca de mil anos, diz pesquisador do Iepa.
No local, foram encontradas peças de cerâmica com formas humanas.



Uma equipe de arqueólogos descobriu dois poços funerários com vasos de cerâmica num sítio em Calçoene, no norte do Amapá. O local já era conhecido desde 2006 por causa de círculos de pedra que foram encontrados sobre o solo. Agora, no entanto, o grupo liderado por João Saldanha e Mariana Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) explorou o que havia sob as grandes placas rochosas depositadas no local.
Saldanha explica que os poços têm cerca de mil anos e que os vasos encontrados são surpreendentes porque têm formas humanas, como as cerâmicas encontradas pelo célebre pesquisador Emílio Goeldi no século XIX na região do Cunani. (foto acima)
O povo que cavou os poços tinha por hábito descarnar e separar os ossos de seus mortos, colocando-os em grupos separados nas urnas funerárias acomodadas em câmaras laterais ao buraco principal no solo. Os círculos de grandes pedras sobre o solo caracterizam que o local tinha função religiosa.
De acordo com Saldanha, há atualmente na região do Oiapoque índios que têm modo semelhante de sepultamento, mas não está claro se seriam descendentes do povo que viveu em Calçoene.
http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1508952-16052,00-ARQUEOLOGOS+ENCONTRAM+ANTIGOS+POCOS+FUNERARIOS+NO+NORTE+DO+AMAPA.html

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Feira de luxo vende caixão de ouro equipado com telefone

Um caixão de ouro equipado com um telefone móvel avaliado em 280 mil euros (381 mil dólares) está entre os artigos à venda numa feira de artigos de luxo na Itália. O  telefone móvel no caixão é para enviar mensagens aos parentes caso a pessoa seja enterrada viva por engano, explicam os criadores.

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http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_21/2010/02/26/ficha_verpracrer/id_sessao=21&id_noticia=21327/ficha_verpracrer.shtml

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Edificio funerário moderno

Aparentemente não há aqui nenhuma construção, apenas jardins e muros. E, no entanto, é neste local que se localiza a morgue da cidade de León, um edifício que ocupa uma área extensa mas que tem a particularidade de se encontrar enterrado no solo. Não possui por esse motivo fachadas viradas à rua e o elemento com maior visibilidade é o lago artificial que lhe serve de cobertura mas que se confunde com a paisagem. Clarabóias em betão emergem do solo juntamente com uma rampa também em betão por onde se faz a entrada. Tudo é discrição e sobriedade neste espantoso edifício funerário.

Os seus autores, Jordi Badia e Josep Val (BAAS Arquitectos) projectaram-no deste modo dissimulado junto de uma área residencial e enterrado no solo, fazendo referência aos ancestrais rituais de enterramento. O interior do edifício, todo em betão com aplicações de madeira, como se fosse ele mesmo um túmulo, é iluminado exclusivamente por pequenos pátios e clarabóias e dali apenas se pode ver o céu. A sobriedade e o despojamento do conjunto convida à reflexão e ao silêncio.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O turismo cemiterial na literatura


Muitos escritores talentosos brindaram os leitores com histórias de seus passeios a cemitérios. Este é um belo conto de Lima Barreto intitulado "O Cemitério".


"Pelas ruas de túmulos, fomos calados. Eu olhava vagamente aquela multidão de sepulturas, que trepavam, tocavam-se, lutavam por espaço, na estreiteza da vaga e nas encostas das colinas aos lados. Algumas pareciam se olhar com afeto, roçando-se amigavelmente; em outras, transparecia a repugnância de estarem juntas. Havia solicitações incompreensíveis e também repulsões e antipatias; havia túmulos arrogantes, imponentes, vaidosos e pobres e humildes; e, em todos, ressumava o esforço extraordinário para escapar ao nivelamento da morte, ao apagamento que ela traz às condições e às fortunas.



Amontoavam-se esculturas de mármore, vasos, cruzes e inscrições; iam além; erguiam pirâmides de pedra tosca, faziam caramanchéis extravagantes, imaginavam complicações de matos e plantas - coisas brancas e delirantes, de um mau gosto que irritava. As inscrições exuberavam; longas, cheias de nomes, sobrenomes e datas, não nos traziam à lembrança nem um nome ilustre sequer; em vão procurei ler nelas celebridades, notabilidades mortas; não as encontrei. E de tal modo a nossa sociedade nos marca um tão profundo ponto, que até ali, naquele campo de mortos, mudo laboratório de decomposição, tive uma imagem dela, feita inconscientemente de um propósito, firmemente desenhada por aquele acesso de túmulos pobres e ricos, grotescos e nobres, de mármore e pedra, cobrindo vulgaridades iguais umas às outras por força estranha às suas vontades, a lutar...
Fomos indo. A carreta, empunhada pelas mãos profissionais dos empregados, ia dobrando as alamedas, tomando ruas, até que chegou à boca do soturno buraco, por onde se via fugir, para sempre do nosso olhar, a humildade e a tristeza do contínuo da Secretaria dos Cultos.
Antes que lá chegássemos, porém, detive-me um pouco num túmulo de límpidos mármores, ajeitados em capela gótica, com anjos e cruzes que a rematavam pretensiosamente.
Nos cantos da lápide, vasos com flores de biscuit e, debaixo de um vidro, à nívea altura da base da capelinha, em meio corpo, o retrato da morta que o túmulo engolira. Como se estivesse na Rua do Ouvidor, não pude suster um pensamento mau e quase exclamei:
— Bela mulher!
Estive a ver a fotografia e logo em seguida me veio à mente que aqueles olhos, que aquela boca provocadora de beijos, que aqueles seios túmidos, tentadores de longos contatos carnais, estariam àquela hora reduzidos a uma pasta fedorenta, debaixo de uma porção de terra embebida de gordura.
Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência, nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve, instantâneo, e fugaz.


Abalei-me! Eu que dizia a todo o mundo que amava a vida, eu que afirmava a minha admiração pelas coisas da sociedade - eu meditar como um cientista profeta hebraico! Era estranho! Remanescente de noções que se me infiltraram e cuja entrada em mim mesmo eu não percebera! Quem pode fugir a elas?
Continuando a andar, adivinhei as mãos da mulher, diáfanas e de dedos longos; compus o seu busto ereto e cheio, a cintura, os quadris, o pescoço, esguio e modelado, as espáduas brancas, o rosto sereno e iluminado por um par de olhos indefinidos de tristeza e desejos...
Já não era mais o retrato da mulher do túmulo; era de uma, viva, que me falava.

Com que surpresa, verifiquei isso
Pois eu, eu que vivia desde os dezesseis anos, despreocupadamente, passando pelos meus olhos, na Rua do Ouvidor, todos os figurinos dos jornais de modas, eu me impressionar por aquela menina do cemitério! Era curioso.
E, por mais que procurasse explicar, não pude."

Lima Barreto

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Características exclusivas da arte tumular


Houve um tempo em que os cemitérios eram praticamente o único lugar onde os artistas podiam exercitar sua liberdade criativa. A falta de controle e censura acabou por conferir características muito peculiares à arte tumular. Foi um momento particularmente interessante por exemplo, para que os anjos ganhassem sexo, e não raro também alguma dose de erotismo.A beleza e a sensualidade estão muito presentes, e algumas peças com certeza provocariam escândalo, se expostas em outros locais. Existe a possibilidade de que a natureza do local, e o fato de ser visto como espaço maldito, tenha terminado por proteger a liberdade criativa, e o que se vê ornando alguns túmulos, seria digno de grandes galerias de arte.


Mesmo as carpideiras, que tiveram um papel tão importante no passado, agora em pedra e bronze, ainda demonstram toda a sua feminilidade nas vestes esvoaçantes, eternizadas em seu pranto infinito.  Já foram catalogados mais de 700 símbolos na arte cemiterial, e alguns ainda em fase de pesquisa para se compreender porque seriam utilizados nas tumbas.
A incrível beleza plástica já justifica uma visita despretensiosa a um cemitério, mas aos poucos o país vai percebendo que as visitas monitoradas, com guias preparados para explicar os símbolos e as peças artisticas, e as informações coletadas, tornam o passeio muito mais rico e prazeroso.

Imagens: Anjos - Cemitério de Ribeirão Preto
                  Último adeus (túmulo da família Cantarella) - Obra de Alfredo Oliani

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cemitério espanhol recicla cinzas em jardim aromático


A prefeitura de Barcelona inaugurou, no maior cemitério da cidade, um espaço em que as cinzas de defuntos cremados são usadas como adubo de um jardim de ervas aromáticas.  A idéia por trás do que as autoridades estão chamando de "o cemitério mais ecológico do mundo" é permitir que as cinzas possam ser recicladas no mesmo recinto em que família recordam seus entes queridos. Cada cliente terá a opção de depositar as cinzas em uma urna biodegradável ao lado da planta ou de enterrá-las diretamente para que sirvam de adubo de uma planta aromática, escolhida entre três espécies: alfazema, alecrim e sálvia. Ao lado de cada planta no chamado Jardim dos Aromas haverá uma placa de identificação do falecido. A família tem direito de levar algumas mudas para casa quando a erva crescer.O novo espaço funciona dentro do cemitério municipal de Montjuic.
 


O projeto do jardim surgiu da preocupação com o aumento do número de cremações na cidade. Segundo a prefeitura, em 2008 foram 6.782 serviços nos seis fornos crematórios municipais. Na nota à imprensa o diretor do departamento de cemitério de Barcelona, Jordi Carnes disse que "depois da cremação muitas pessoas têm o hábito de espalhar as cinzas de seus finados em lugares que nem sempre são adequados". "Por isso pensamos em um espaço ecológico". Uma área com 620 metros quadrados onde caberiam aproximadamente 700 mudas de plantas para defuntos.O novo serviço custará 350 euros (cerca de mil reais) por dois anos. A partir do terceiro ano, a taxa de manutenção será de 35 Euros (aproximadamente R$ 100,00). O contrato inclui a semente, plantio e cultivo da erva escolhida, além da lápide indicativa com os dados do defunto. O que está proibido é deixar recordações ao lado da erva medicinal. Nada de velas, fotos, objetos pessoais ou flores.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/03/090330_cemiteriobarcelonaai.shtml

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carpideiras


Um ofício da Idade Média extinto há dois séculos está sendo resgatado na Espanha para salvar a economia de muitas donas-de-casa em tempos de crise. Com a condescendência de sacerdotes católicos de paróquias rurais, estão de volta as carpideiras, mulheres que recebem dinheiro para rezar e chorar por mortos desconhecidos.


A tradição europeia das carpideiras, que atuam em dias de Finados, enterros, missas e datas como aniversários de mortes, foi proibida no século 18. No entanto, com a crise econômica mundial, parte do clero espanhol decidiu ser mais flexível, permitindo que as famílias consigam um dinheiro extra.
Para rezar e chorar por um morto desconhecido, as mulheres recebem entre 20 e 30 euros (cerca de R$ 60 a R$ 90) por dia.
Em datas como o feriado de Finados, o trabalho inclui ir ao cemitério, lustrar a lápide, trocar as flores, rezar e recitar salmos pelo morto. Ao contrário das profissionais da Europa medieval que gemiam alto, chegando a rasgar parte das roupas, davam socos no peito e até arrancavam fios de cabelo durante as atuações nas missas e funerais, as novas carpideiras do século 21 são discretas e rezam em silêncio.
Foi por estas encenações, consideradas escandalosas pelo Vaticano, que o ofício passou a ser perseguido a partir do século 13, até a proibição no século 18. A Igreja Católica ameaçou de excomunhão a quem continuasse chorando e gemendo alto por um morto desconhecido em troca de dinheiro, também porque as atuações assustavam os fiéis e incomodavam os sacerdotes que tinham de gritar para ser escutados durante as cerimônias.


Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091102_choradeiras_ai_ac.shtml

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Roteiros insólitos

O fascínio por lugares com fama de mal-assombrados tem atraído turistas a passeios que misturam bom humor, história e folclore. Desde 2006, a Secretaria Municipal de Turismo do Recife (PE) realiza, gratuitamente, em noites de lua cheia e de sextas-feiras 13, a trilha “Lendas do Recife”, que recebe até 5 mil pessoas por edição.

O roteiro inclui o rio Capiberibe, onde acredita-se que o fantasma Vira-roupas assusta as lavadeiras, e o Teatro Santa Isabel, onde há quem escute aplausos durante a noite. Enquanto turistas recebem vela e pergaminho, os guias representam lendas como Perna Cabeluda, que chuta pedestres e Laura Cemitério, conhecida por seduzir os homens que passam em frente ao cemitério Santo Amaro.

“Elaboramos o roteiro para despertar o interesse da população pela história da cidade, onde são presentes lendas e a idéia do macabro”, descreve Renato Barbosa, um dos criadores do passeio.

São Paulo também possui lendas, como a da loira do edifício Martinelli, no Centro, atração do passeio “São Paulo do Outro Mundo”. “Quando lançamos o circuito, em 2000, eram quatro vezes por ano. A procura foi tanta que agora fazemos uma vez por mês, com grupos de 20 a 42 pessoas. Brincamos com histórias de fantasmas, sem sensacionalismo”, afirma o criador Carlos Roberto Silvério. Para envolver o turista, é entregue um “kit lanche fúnebre”, embrulhado em papel negro e fita rocha, e o ônibus é decorado com teias de aranha, crânios e crisântemos (flores típicas de velórios), e tem música ambiente de vampiros e fantasmas. Entre os pontos visitados, estão os cemitérios do Araçá e da Consolação, o edifício Joelma, onde 200 pessoas morreram num incêndio; e o bairro da Liberdade, considerado o mais mal-assombrado, pois lá foi construído o primeiro cemitério da cidade.

No Rio de Janeiro, entre 1994 e 2001, havia um passeio pelos lugares mais assutadores da Cidade Maravilhosa, caso do Teatro Municipal, onde há quem tenha visto o poeta Olavo Bilac (1865-1918) declamando o discurso de inauguração, e o Museu Histórico Nacional, que dizem ser palco de debates entre oradores fantasmas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Viagem póstuma


Nos últimos dois anos, Ralph B. White viajou por várias partes do mundo, passando por lugares como Nepal, China, Mongólia, Austrália, Ruanda, Itália, Islândia, Benin e Zanzibar.

Mas, na verdade, Ralph esteve presente nessas localidades mundo afora em forma de cinzas. Sim, ele morreu em 4 de fevereiro de 2008, aos 66 anos.

Desde então, a última companheira e amigos de Ralph passaram a levar pacotinhos com cinzas do americano aos lugares que visitam. Os restos mortais dele estão sendo depositadas em terra e mar.

"Mais do que ficarmos de luto por ele, ele queria incentivar as pessoas a desenvolver o espírito da aventura", disse Rosaly Lopes (na foto, jogando as cinzas de Ralph no Coliseu de Roma).

Ralph e Rosaly faziam parte de Adventurers' Club of Los Angeles.

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/posts/2010/01/20/viuva-amigos-espalham-cinzas-de-americano-pelo-mundo-259182.asp

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sindrome de Cotard


A síndrome de Jules Cotard ou delírio niilista é uma rara desordem no qual a pessoa tem a crença de que já está morta, que não existe, que está apodrecendo e perdeu os órgãos internos. Alguns doentes inclusive chegam a perceber o cheiro de sua carne em putrefação ou sentem como os vermes os estão devorando.

Um caso famoso da síndrome Cotard descreve uma mulher que estava tão convencida de sua morte que fazia questão de vestir um sudário e dormia num caixão. Pediu para ser enterrada e como seus familiares se negaram, permaneceu em seu caixão até que faleceu algumas semanas depois. Há outro caso de um homem que depois de um grave acidente pensou que já estava morto, e quando o transladaram a sua cidade natal, na África, pensou que estavam levando-o para o inferno, pelo calor que ali fazia.

A doença se caracteriza por forte depressão, e é agravada pelo medo da morte, o que leva o paciente a vivenciá-la, talvez pelo pavor que a  mesma lhe cause.




Em 28 de junho de 1880, em sessão da Société Médico-psychologique de Paris, Cotard apresentou o caso de uma mulher de 43 anos que acreditava que “não tinha cérebro, nervos, seios ou entranhas, que era somente pele e osso e que nem Deus e o diabo existem”. Dizia não necessitar de alimentos porque “era eterna e viveria para sempre”. Havia pedido para ser queimada viva e fizera várias tentativas de suicídio.

Cotard tinha consciência de que casos parecidos haviam sido descritos por vários psiquiatras, dentre eles Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840). O diagnóstico que Cotard fez da sua paciente é de que ela apresentava o que então era conhecido por lipemania (categoria proposta por Esquirol para definir um episódio de depressão psicótica). Cotard admitia que o delírio hipocondríaco resultava de “uma interpretação da sensação patológica geralmente presente em pacientes com melancolia ansiosa”. Ele sugeriu ainda que uma forma similar de delírio deve ter contribuído para propagar a crença na chamada demoniomania.

Cotard estava convencido de que havia encontrado um novo tipo de lipemania, cujas principais características seriam melancolia ansiosa, idéias de danação ou possessão, comportamento suicida, insensibilidade para a dor, delírios de imortalidade e de não-existência envolvendo a pessoa como um todo ou partes do corpo. 


 


A mente – por mais complexa e poderosa que seja – é apenas um produto do cérebro. Essa é uma afirmativa que permeia todo o conhecimento científico contemporâneo e foi expressa pela primeira vez por Charles Darwin (1809-1882), em meados do século XIX. Se não pudemos ainda desvendar a assombrosa complexidade dos neurônios, o que dizer dos processos que levam a falhas de comunicação entre eles? Ainda não sabemos com precisão tudo o que resulta dessas incorreções, mas nada nos impede de admirar sua grandiosidade. O espanto nos domina quando ouvimos o paciente com a síndrome de Cotard falar dos seus delírios de imortalidade. Talvez porque, no fundo, tenhamos uma ponta de inveja dissimulada. Quantos de nós, ainda hoje, como Fausto, o personagem criado pelo escritor Johann Wolfgang von Goethe, não selaríamos de bom grado um pacto com o diabo, em troca da vida eterna?


Fonte: Revista Mente e Cérebro edição 186 - Julho 2008
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/o_pacto_com_o__diabo_e_a_vida_eterna_imprimir.html
 




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Túmulo de Nietzsche ameaçado

Nem após a morte o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) consegue sossego.





O túmulo do autor de Assim falou Zaratustra está ameaçado por um empreendimento de mineração que pode tirar do mapa a localidade de Roecken, onde descansa há 110 anos, nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental.

O grande projeto de minas de carvão a céu aberto da Mibrag é destinado a alimentar usinas na Alemanha, em substituição à energia nuclear.

Enterrado aos pés de uma igreja medieval, Nietzsche é o principal orgulho - e apelo turístico - da região.
O túmulo, orgulho dos habitantes de Roecken,  se encontra ameaçado por um projeto de mineração que pode tirar do mapa esta localidade nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental. O autor de "Assim falou Zaratustra" descansa perto de seus entes queridos sob uma lápide de granito e mármore rosa, aos pés de uma igreja da Idade Média.
Só que a região agora é objeto de um grande projeto de minas a céu aberto destinado a alimentar as centrais na Alemanha, um país que deu as costas à energia nuclear. Os resultados do estudo que se realiza atualmente sobre o subsolo determinarão a viabilidade das intenções da mineradora Mibrag e, portanto, o futuro dos habitantes da localidade. Entretanto, Roecken se apóia em seu filho predileto. "Nietzsche é nosso único trunfo", afirma Dorothee Berthold, diretora da associação criada para tentar vencer a Mibrag, uma empresa controlada por investidores americanos. A mineradora pede calma, alegando que ainda não existe nada decidido e que "o horizonte eventual" de seu projeto é 2025."Ainda podem acontecer muitas coisas até lá", garante.
O túmulo do filósofo, no entanto, atrai a cada ano apenas 1.500 visitantes, que aproveitam a viagem para visitar um pequeno museu ao lado da igreja e observar a casa na qual viveu até os cinco anos.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u388231.shtml

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Na hora da nossa morte, amém

A Dra. Louisa Rhine, pesquisadora do laboratório de parapsicologia da universidade de Duke, estudou vários casos de relógios que pararam de funcionar no momento da morte do seu proprietário. Num desses casos, um morador do Canadá relatou à Dra. Rhine o que ocorreu em sua família por ocasião da morte do irmão de sua cunhada. Quando o doente terminal morreu, às 6:24h, ele telefonou para a família e para o médico, e em seguida preparou algo para que os visitantes pudessem comer. Além disso, era necessário ficar observando o relógio, porque a agência funerária chegaria às 9:30h. Durante o café, um dos visitantes perguntou as horas, a cunhada do depoente consultou um relógio de bolso que lhe foi dado pelo seu irmão falecido; ao ver as horas, ela teve uma terrível surpresa: o relógio marcava também exatamente a hora e os minutos em que seu irmão morrera.
Para ter certeza de que aquilo não era uma estranha coincidência, ela pediu ao seu outro irmão que desse corda, para saber se ele parara por falta desta. O relógio ainda tinha três quartos de corda.
Fonte: http://curiosidadesonline.wordpress.com/2009/02/19/a-hora-da-morte/

domingo, 3 de janeiro de 2010

FUNERAIS CÓSMICOS



O competitivo mercado norte-americano de funerais tem duas incríveis novidades. Por cerca de 28 mil contos, a Celstis Inc. - um empresa com créditos firmados em experiências do género, que já colocou em órbita as cinzas do autor da série "O Caminho das Estrelas" (Gene Roddenberry) - promete espalhar na Lua as cinzas dos seus clientes. A data da primeira viagem ainda não foi divulgada, no entanto, já há 200 pessoas em lista de espera.

Outra opção a considerar é passar a eternidade ao lado de uma estrela de cinema. O Hollywood Memorial Park já abriu as suas portas ao comum dos mortais, desde que os interessados possam pagar o privilégio de depositar o esqueleto ao lado de uma ossada famosa. Os preços variam entre cerca de 22000 e 330000 dólares, conforme o grau de celebridade do defunto desejado. Os palmos de terra que rodeiam a campa de Rodolfo Valentino são os mais disputados.

Fonte: http://www.freipedro.pt/tb/010600/opin1.htm

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

25 de dezembro é um dia muito especial

Este é o dia em que se comemora o nascimento daquele que veio para nos trazer a luz, e mudar totalmente a nossa forma de entender o mundo:
Sir Isaac Newton!






Uma de suas primeiras colaborações foi a respeito das séries binominais.Por volta de 1665, Newton interessou-se pela luz e pela óptica. Revelou suas descobertas sobre cor e luz à Royal Society (Academia de Ciências), em Londres. Assim, começou a tornar-se um famoso cientista. Trabalhou em outros ramos da Matemática e inventou uma técnica nova, que chamou de método de fluxões. Este constituiu a base para o que hoje se chama de cálculo diferencial e integral. Com ela, Newton calculou áreas limitadas por figuras cujos lados não são retos, cumprimento de curva, volume, velocidade, etc. Newton escreveu o livro Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, mais conhecido como Principia. Nesse livro, publicado em 1687, Newton mostrou que a lei do inverso do quadrado explicava o movimento dos planetas: em elipse e não em circunferências.São inúmeras suas contribuições para as ciências em todas as áreas. Ao receber da rainha Ane a condecoração de cavaleiro, em 1705, Newton tornou-se o primeiro Sir da ciência.



Túmulo de Sir Isaac Newton, sepultado com honrarias na Abadia de Westminster, Londres.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Lazer e exercicios no Cemitério


Numa cidade com índices de violência preocupantes e trânsito cada dia mais congestionado, a população recorre a lugares inusitados para curtir momentos de lazer. Para os moradores dos bairros Portão, Fazendinha, Cidade Industrial e adjacências, de Curitiba/PR. o Cemitério Jardim da Saudade virou ponto de encontro e de prática de atividades físicas.
Todas as manhãs, dezenas de pessoas percorrem a pé as vielas do cemitério. Algumas aproveitam e visitam túmulos de parentes e amigos, mas o interesse da maioria é apenas exercitar o corpo. “Normalmente é um pessoal de mais idade, que aproveita a paisagem e a tranqüilidade”, contou o segurança João Evangelista. A administração do cemitério não restringe as caminhadas dos usuários — apenas as corridas são proibidas.
Assim como nos parques, os horários mais procurados pelos praticantes são o início da manhã e o final da tarde. Os primeiros “caminhantes” chegam já às 6h30, horário de abertura dos portões. A noite, o local é fechado.

Embora inevitavelmente fúnebre, o cemitério tem área verde e quantidade de árvores que garantem ares de parque. Os jazigos no chão, junto à grama, completam o clima bucólico, e lanchonete e banheiros garantem a infra-estrutura mínima.
Para os freqüentadores, outro fator que torna o cemitério atrativo é a segurança. Além de corpo interno de seguranças, o cemitério conta com câmeras de vigilância espalhadas pelo terreno de cerca de 70 mil metros quadrados. A ausência de parques na região, uma das mais populosas de Curitiba, também influi. Momento e locais perfeitos para se pensar em melhorar a qualidade da vida.



Fonte: http://www.bemparana.com.br/index.php?n=59643&t=cemiterio-vira-local-de-caminhadas-da-populacao

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mensagem do além já é possível


Toda hora, alguém inventa uma novidade na internet.

A última, ou uma das últimas, é o e-mail póstumo. Se você receber de algum amigo ou conhecido uma mensagem intitulada "Eu morri", pode não ser brincadeira.

A idéia tem lógica: uma empresa organiza suas informações e trata de enviá-las a quem delas deva ter conhecimento, até para dar andamento a coisas que eram iportantes para o falecido.

Informarão aos beneficiários onde estão suas apólices de seguro, comunicarão decisões do morto, enviarão mensagens de despedida, farão revelações que não conviria serem feitas em vida, etc.

Por uma cota anual de 6 euros para 20 gigas de espaço, você pode abrir uma conta na assetlock.net ( http://assetlock.net/ ) , onde poderá deixar suas intruções pós-morte, inclusive senhas de banco e de e-mail.

Existem outras opções, como letterfrombeyond.com (carta do além ponto com). É possível até deixar uma mensagem raivosa para um patrão que você detesta, ou outra pessoa qualquer...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cemitérios tecnologicamente preparados para o futuro

Cemitérios ocupam grandes espaços e alguns tentam antecipar soluções para possíveis problemas ambientais. Na Austrália, por exemplo, cadáveres serão sepultados em uma reserva natural. No Cemitério Lismore Memorial Park, que fica em Nova Gales do Sul , o cadáver é enterrado entre árvores de eucalipto que exalam um leve perfume no ar, compartilhando a paz e a quietude de um santuário de Coalas. A preocupação com o meio ambiente não está apenas em resolver problemas de espaço. O local utiliza somente caixões de madeira reciclada, ou pinho de reflorestamento, e evita a cremação, que libera gases prejudiciais na atmosfera terrestre. Para que os parentes não se percam no meio do mato, a posição de cada cadáver é cadastrada com uma latitude e uma longitude, um GPS irá fornecer a localização. Para evitar que o visitante derrame lágrimas na cova de outrem, o cemitério garante que “cada corpo estará a pelo menos 5 metros de distância um do outro“, pois “o sistema GPS não possui qualidade posicional suficiente para que os mortos sejam enterrados mais próximos“.



Provavelmente, os administradores desconhecem o erro médio de posicionamento em um GPS de Navegação ou pretendem localizar os corpos com equipamento geodésico ou usando diferencial para afirmar que 5 m é suficiente para uma localização inequívoca. Desta maneira, é possível que muitos familiares se prostrem diante de moitas, árvores, pedras, acreditando que estarão diante dos restos de seus familiares. Para incentivar o aumento da população neste tipo de cemitério, o enterro chega a custar até US$ 1.000 a menos do que um tradicional. Segundo a administração do cemitério, não se trata de uma jogada de marketing para que empresas de GPS vendam mais aparelhos à pessoas que visitem com alguma regularidade seus parentes que já morreram. Eles informam que os aparelhos serão emprestados aos visitantes.

http://tecnologia.terra.com.br/

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Noivos se casam em cemitério inglês



Um casal de noivos britânicos decidiu dar uma nova interpretação ao famoso "até que a morte os separe". Samantha Smyth, de 25 anos, e Paul Adams, de 33, casaram-se em um cemitério na cidade de Wisbech (Inglaterra).

A cerimônia gótica foi conduzida por um líder espiritualista diante de 40 convidados (vivos). "É um tipo estranho de lugar, mas é realmente muito bonito, e todos curtiram a cerimônia", disse Paul. Ao invés do tradicional arroz jogado nos recém-casados, foram lançadas pétalas de flores negras. Samantha, de família católica, e Paul, de origem protestante, moram a poucos metros do cemitério, onde costumam levar os seus cães para passear. O casal ganhou autorização especial de autoridades para se casar onde os mortos repousam.




Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/#243676

domingo, 15 de novembro de 2009

Funeral Simbólico em Veneza



VENEZA, ITÁLIA (Reuters) - Neste sábado, 14/11/2009, uma procissão de gôndolas acompanhou um caixão rosa pelo Grande Canal de Veneza no sábado numa representação de um funeral em protesto contra a forte queda na população da cidade.

Porta-estandartes com capas negras acompanharam o caixão todo enfeitado de flores que simboliza a morte da "Rainha do Adriático" por causa do aumento do turismo, das águas e dos custos de moradia e de um decréscimo no índice de natalidade e na qualidade dos serviços públicos.
O caixão foi levado à prefeitura da cidade, onde foram lidos uma mensagem de pêsames e um poema no dialeto veneto.
Enquanto turistas e pedestres sacavam fotos e abriam garrafas de vinho, uma bandeira com a imagem da fênix saiu do caixão para simbolizar o renascimento da cidade ameaçada.
O protesto, organizado pelo site local Venessia.com, foi inspirado em um relatório do mês passado que indicava uma queda na população da cidade para menos de 60.000, o mínimo para que uma cidade seja independente na Itália.
A população de Veneza caiu pela metade desde 1966 à medida que residentes saíam para buscar trabalho em outros lugares e os custos de moradia disparavam, já que as casas tornaram-se pousadas ou hoteis.
Aproveitando-se da aglomeração de pessoas reunidas para o protesto, pesquisadores do instituto politécnico de Worcester, dos Estados Unidos, retiraram amostras de saliva para identificar venezianos autênticos geneticamente, disse a agência de notícias Ansa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cinzas transformadas em arte - Curitiba

Dia de Finados, no dia 2 de novembro, será diferente para dez famílias de Curitiba. Em vez de missa, como de costume, os familiares dos mortos terão uma experiência diferente: o Crematório Vaticano vai apresentar às famílias onze obras de artes feitas com as cinzas de seus parentes. Segundo a diretoria do Crematório, a intenção do projeto é aproximar as pessoas de seus entes queridos. “Percebemos que muitas pessoas não querem se desfazer das cinzas totalmente. Querem ter algo por perto. Então por que não ter uma obra de arte em vez de uma urna com as cinzas?”, diz Mylena Cooper, diretora do local. As obras – esculturas e telas – foram feitas por sete artistas plásticos que tiveram o cuidado de adequar a criação ao gosto de cada morto. O artista João Moro, por exemplo, prepara uma tela com motivo sacro. O escultor Tony Reis produz três esculturas de cunho religioso e fundamentadas nos amores e desejos dos “donos” das cinzas.


MAS O PROJETO MAL COMEÇOU, E JÁ ENFRENTA POLÊMICA: A artista plástica Cláudia Eleutério reclama a autoria do projeto, segundo ela desenvolvido e apresentado em julho deste ano de 2009. Como comprovação de sua autoria sugere uma visita ao site da Acempro http://www.acempro.com.br/unidade_detalhe.cfm?id=1.
Por razões éticas este blog não tomará partido, mas esperamos que a contenda seja resolvida, pois a idéia é excelente, e merece ser aproveitada e creditada a quem for de direito.
Foto: Escultura do artista Tony Reis por Erlei Schade. Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI101653-15228,00.html

domingo, 1 de novembro de 2009

‘Guias de cemitério’ têm trabalho dobrado no dia de Finados



Ele passou parte da vida enterrando mortos e hoje conta a história de vida deles. Aos 43 anos, Francivaldo Gomes, o Popó, é monitor da Prefeitura de São Paulo e atua como guia turístico. O local de trabalho dele é o Cemitério da Consolação, localizado na região central e o mais antigo da cidade. Antes da função atual, foi sepultador, o famoso coveiro.
Popó tem tido agenda lotada. Corre o dia inteiro para deixar limpos os cerca de 8.500 túmulos do cemitério. Conta com a ajuda dos outros funcionários, mas acaba acumulando funções porque, além de arrumar o jardim e os jazigos, precisa atender os visitantes. Ser guia de cemitério é um orgulho para o cearense, que só tem o segundo grau completo conta que pesquisou muito até dominar as informações históricas. "Sou autodidata".


A guia Ângela Arena, 42, circula com seus turistas pela capital e sempre para no Cemitério da Consolação. Ali, há esculturas em mármore e granito de artistas como Victor Becheret, Júlio Starace e Ramos de Azevedo. Elas ornamentam os túmulos e dão beleza a um lugar marcado pela tristeza. “As pessoas costumam se assustar por eu ser guia em cemitério porque esta ainda é uma atividade muito tímida aqui no Brasil”, diz Ângela.

Em suas explanações, assim como Popó, ela conta a história dos mortos ilustres, das obras de arte e dos costumes relacionados ao enterro. “No século 19, a morte era mais vivenciada. Tinham as carpideiras que choravam nos velórios, que levavam mais de um dia. Hoje as pessoas são mais distantes”.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1360329-5605,00-GUIAS+DE+CEMITERIO+TEM+TRABALHO+DOBRADO+AS+VESPERAS+DO+DIA+DE+FINADOS.html

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Parque Renascer



Unico crematório de Minas Gerais, o Parque Renascer se revela um lindo lugar para se passear, na região metropolitana de Belo Horizonte. A estrutura do Cemitério e Crematório foi desenvolvida com um projeto arquitetônico arrojado e inovador reunindo conforto, boa localização, muito verde, preservando árvores nativas dentro dos seus quase 200.000 m².
É hoje  um dos mais bem equipados do Brasil, contando com capela, jardim e muita área verde. Caminhando pelas modernas linhas do espaço se pode ver uma seleção de fotos dos mais belos cemitérios do mundo, clicadas por esta blogueira que vos escreve.
Para quem deseja conhecer mais sugiro uma visita ao site oficial

http://www.parquerenascer.com.br/

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Morte e Poesia




Há lindos poemas e sonetos sobre a morte. Algumas preciosidades:

Cruz e Souza, por exemplo, grande simbolista, que tanto cultuou a morte:
Fecha os olhos e morre calmamente!
Morre sereno do Dever cumprido!
Nem o mais leve, nem um só gemido
Traia, sequer, o teu Sentir latente.
Morre com a alma leal, clarividente,
Da Crença errando no Vergel florido
E o Pensamento pelos céus brandindo
Como um gládio soberbo e refulgente.

O excelso e efêmero Casimiro de Abreu:
Que tem a Morte de feia?
Branca virgem dos amores
Toucada de muitas flores
Um longo sono nos traz;
E o triste que em dor anseia
— talvez morto de cansaço —
vai dormir no seu regaço
como num clausuro de paz.

Castro Alves pedia, profético:
Quando eu morrer... não lancem meu cadáver
No fosso de um sombrio cemitério...
Odeio o mausoléu que espera o morto,
Como o viajante desse hotel funéreo.

Oliveira Ribeiro Neto é consciente do poder irreparável da morte:
Pois nada vale esforço, luto e choro,
serão todos cantores do seu coro,
que só não muda e se transforma em nada
a sempiterna de olhos de safira,
potente, alada e lúbrica mentira
pelo sonho dos homens sustentada.







Goethe é menos incisivo:
A Morte é uma impossibilidade
que, de repente,
se torna realidade.


Até aqui, versos tristonhos, pessimistas como se a morte fosse a tragédia. Há poetas, contudo, capazes de minimizar a crueza do tema.
Metastásio, por exemplo:
Não é verdade que a morte
é o pior de todos os males,
é um alívio dos mortais
que estão cansados de sofrer.

Bocage fala da "Morte dos tristes":
Ah! Só deve agradar-lhe a sepultura,
Que a vida para os tristes é desgraça,
A morte para os tristes é ventura!

Baudelaire fala da "Morte dos pobres":
É um anjo que segura em seus dedos magnéticos
O sono e mais o dom dos êxtases mais poéticos,
Que sempre arruma o leito aos pobres...

Uma curiosa e bem-humorada observação de Sofocleto nesse particular:
Os que mais morrem
são os que não têm onde cair mortos.

Nessa linha quase humorística, há uns versos de Homero, na sua Ilíada:
Eia, meu amigo, morre tu também!
Por que lamentas a sorte?
Também morreu Pátroclos, que valia
muito mais que tu!

E Nabokov sofisma:
Um silogismo:
os outros morrem.
Mas eu não sou outro;
assim, não morrerei.

E uma historinha inglesa sobre um inglês, igual a tantos:
Nasceu numa segunda
Batizou-se numa terça
Casou-se numa quarta
Adoeceu numa quinta
Piorou numa sexta
Morreu num sábado
Enterrou-se no domingo
E este foi o fim de Solomon Grundy.

Expedito Ramalho de Alencar é sucinto e objetivo, em sua clara análise da Morte no precioso Dicionário poético de sua lavra:
Morte
Término da vida, cessação
De funções orgânicas vitais.
Um nada, vazio, escuridão,
Sumiço d’amigos e rivais.
Desaparecimento do ser.
A negação do querido ente.
Eliminação do pretender
Ter existência permanente.

Há os poetas que brindam a Senhora Dona Morte com versos brilhantes como seus suas autores, quase otimismo no enfrentamento desse enigma, dessa interrogação eterna, desse mistério às vezes até bonito, apesar de tantas perplexidades.
Por exemplo, o grande Vinícius de Morais
A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca esperada
Ela que é na vida
a grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida!

Ou a maravilhosa sonetista Florbela Espanca, autora de tantas belezas de sofrimento e paixão:
Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce lago
E, como uma raiz, sereno e forte.
Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má morte.
Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!
Vim da Moirama, sou filha de rei,
má fada me encantou e aqui fiquei
à tua espera... quebra-me o encanto

E grandes nomes de todas as épocas:

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!
(Augusto dos Anjos)

Não que eu esteja
com medo de morrer.
Apenas não queria estar lá
quando isso acontecesse.
(Woody Allen)

Morrer deve ser como não haver nascido
e a morte talvez seja melhor até que a vida
de dor e mágoas, pois não sofre
quem não tem a sensação dos males.
(Eurípedes)


O que é a vida e o que é a morte
Ninguém sabe ou saberá
Aqui onde a vida e a sorte
Movem as cousas que há
Mas, seja o que for o enigma
De haver qualquer cousa aqui
Terá de mim o próprio estigma
Da sombra em que eu vivi.
(Fernando Pessoa)

Não temo a morte: prefiro
esse fato inelutável
ao outro que me foi imposto
no dia do meu nascimento.
Que é a vida?
Um bem que me confiaram
sem me consultar
e que restituirei
com indiferença
(Omar Khayyam)

Versos a um Coveiro
Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais:
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números
A tua conta não acaba mais!
(Augusto dos Anjos)

Os amantes da filosofia gótica vão adorar

Funerária lança calendário 2010 com fotos de mulheres seminuas!
Imagens mostram belas mulheres em volta dos caixões.
Empresa lançou calendário como estratégia de marketing.
Uma funerária italiana já tem pronto seu calendário 2010, que traz belas mulheres seminuas ao lado de caixões. O calendário mostra a cada mês uma mulher ao redor de um modelo de caixão, que pode ser encomendado na loja da Cofanifunebri, em Roma.

O calendário 2010 da funerária está à venda por 9,30 euros ( R$ 24). O dono da empresa, Maurizio Matteucci, defendeu seu calendário. “Caixão é uma mercadoria como quaisquer outras, portanto eu as vendo assim. E os calendários são populares", disse ele em 2007.
http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL1342580-6091,00-FUNERARIA+LANCA+CALENDARIO+COM+FOTOS+DE+MULHERES+SEMINUAS.html

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Café no Cemitério

Na Índa a morte é uma coisa natural. Ela é parte da vida, e num restaurante no leste indiano, ela é parte do almoço.

O New Lucky restaurant em Ahmadabad é famoso por seu chá com leite, seus bolinhos amanteigados e pelas sepulturas entre as mesas.

Este é um lugar pitoresco onde um velho pode ler seu jornal e discutir política pela manhã e jovens casais jantam românticamente à luz de velas durante a noite. Só que as velas ficam sobre as sepulturas para “dar um toque ao ambiente”.

Krishan Kutti Nair construiu o restaurante sobre um cemitério centenário que estava fechado ha décadas. Por isso ele diz não saber quem está enterrado bem no meio do salão de jantar. Os clientes que vão lá vêem as sepulturas, que parecem pequenos caixões de cimento, e isso basta para eles. Os caixões são pintados de verde e têm uma pequena grade metálica em volta. Alguns deles são decorados com uma única flor ressecada. Eles estão espalhados aleatoriamente pelo piso do lugar. Tem um perto do caixa, tem três no meio do salão, quatro ao longo da parede perto da cozinha.O restaurante data de 1950, e faz muito sucesso.



Para quem deseja conhecer:
Category Fast Food Shops, Cafes
Near Dinbai Tower, Lal Darwaja, Ahmedabad
Phone: 25505033

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Arte Cemiterial e suas peculiaridades


A arte praticada nos cemitérios não obedece aos mesmos critérios de outros locais onde seja colocada para ornamentação ou contemplação. Nos túmulos a arte exerce uma função muito mais complexa, e sua responsabilidade é bem mais ampla. Alguns símbolos são estilizados, e os elementos religiosos predominam na iconografia. Na verdade é bastante compreensível que a religiosidade tenha ocupado a grande lacuna deixada pela morte, e pela incompreensão humana diante da finitude da vida.
As esculturas são quase sempre dotadas de fortíssima expressão dolorosa, perplexidade e descontentamento. A hierarquia angelical exerce suas funções pranteadoras em cada uma das figuras estimatizadas ao longo da história da humanidade. E embora surjam, não raras vezes, elementos eróticos, é sempre a finitude da vida expressa na sua forma mais contundente que se expressa nas esculturas cemiteriais.
A arte tumular não prima pela originalidade, por isso é bastante comum se encontrar a mesma figura diversas vezes em sepulturas diferentes, mas em cada situação uma perda diferente.
A simbologia utilizada se repete em todas as culturas, e em breve será publicado neste blog uma relação dos mais recorrentes.
Liliane Rosa



Fotos: Cemiterio Père Lachaise, Paris. (Fotos: Liliane Rosa)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cemitério do Bonfim de Belo Horizonte


O Cemitério do Bonfim em Belo Horizonte reúne uma vasta coleção de obras de arte da Belle Epoque, com peças de artistas consagrados na Europa e Estados Unidos. O espaço está sendo inventariado pelo IEPHA de Minas Gerais, e logo estará contando com visitas monitoradas. A identificação do acervo constatou esculturas de rara beleza, assinadas por nomes como Ettore Ximenes, Oreste Natali e João Scuotto, entre outros. Na foto um dos mausoléus mais suntuosos do cemitério, o túmulo de Raul Soares, todo em bronze e granito, de Ximenes, autor do famoso monumento à Independência em São Paulo, trabalho que assina junto com o arquiteto Manfredo Manfredi.
O Cemitério do Bonfim também é palco da famosa lenda urbana da "Loira do Bonfim", fantasma de uma mulher jovem e bonita que assombrava os taxistas na década de 50, mencionada nas obras de escritores como Pedro Nava e Carlos Drummond de Andrade.


Cemitério do Bonfim, Belo Horizonte
Rua Bonfim, 1120 - Bairro Bonfim

domingo, 20 de setembro de 2009

Cemitério de Pássaros



Na ilha de Paquetá, na cidade do Rio de Janeiro, o Cemitério dos Pássaros, na rua Manoel de Macedo, já é famoso. A fama maior é dos monumentos: “O pássaro abatido” e “O pouso do pássaro casado”. São várias mini covas onde os cariocas enterram os bichinhos. O local foi idealizado na década de 20 ou 30 por Pedro Bruno, um dos maiores artistas de Paquetá.
Para chegar até a ilha é necessário pegar uma barca no cais da histórica praça XV, no centro do Rio. A travessia dura cerca de uma hora. Telefone para contato: (21) 2533-7524.

domingo, 13 de setembro de 2009

Cemitérios Virtuais

Um site em que as pessoas falecidas ganham um perfil, recebem mensagens de saudade e até mesmo flores virtuais - gratuitas ou pagas, dependendo do volume e da escolha - está ganhando cada vez mais adeptos na França. O portal, uma espécie de "Orkut dos mortos", já tem mais de 10 mil tumbas virtuais, entre as quais são distribuídas diariamente cerca de 1,2 mil flores, garante o idealizador do endereço, Daniel Coing-Daguet.
Tudo começou em 2003, quando Coing-Daguet, um trabalhador também apaixonado por informática, criou o endereço www.lecimetiere.net para homenagear seus artistas, cantores e escritores preferidos que haviam morrido. Com o passar do tempo, ele montou perfis para os familiares que partiam, e depois para os amigos, os amigos dos amigos. Até que hoje qualquer pessoa pode se cadastrar no endereço e registrar a página de quem quer que seja - com a condição de que a pessoa esteja morta.
No espaço "petit anges" (anjinhos, em francês), o usuário encontra os perfis de crianças, enquanto que na butique é possível comprar, com cartão de crédito, as "flores" para deixar no túmulo visitado. As flores "duram" sete dias, e depois disso são eliminadas do túmulo - como nos verdadeiros cemitérios. As mais baratas podem ser compradas por 1,5 euro (R$ 3,78).Adicionar mais de uma imagem no perfil do defunto também não sai de graça: custa 1,25 euro (R$ 3,15) por foto extra − mesmo preço para colocar uma placa de homenagem no perfil do morto.Para quem não quer gastar nada, no entanto, existem as flores comuns, que podem ser depositadas acompanhadas de uma mensagem ao morto.

Visite: http://www.lecimetiere.net/

domingo, 6 de setembro de 2009

Cemitério dos Pretos Novos

Quando os empresários Ana Maria de la Merced e Petrucio dos Anjos resolveram fazer uma reforma no quintal de sua casa, no número 36 da rua Pedro Ernesto, Gamboa, centro do Rio de Janeiro, não imaginavam que se veriam numa cena digna do filme de terror Poltergeist – por sorte, sem direito aos fenômenos paranormais. Ossos, fragmentos de crânios e dentes começaram a sair dos buracos cavados pelo pedreiro, assustando as três filhas do casal. Só que a família não mora em cima de um cemitério índio, como no filme, e sim sobre uma parte do Cemitério dos Pretos Novos, sem vestígios ou localização confirmada até o dia da obra.

Lá eram enterrados os africanos recém-chegados, ou “pretos novos”, que morriam ainda nos armazéns do mercado de escravos – isso depois que o comércio escravista passou para a rua do Valongo, em 1769. Antes, quando o mercado operava na atal rua 1º de Março, os enterros eram no Largo de Santa Rita.


Saiba mais visitando: http://www.pretosnovos.com.br/

sábado, 5 de setembro de 2009

Caixões e urnas ecológicas


Ecopods são os caixões ecológicos criados por Hazel Selina, e são feitos com folhas de amoreira e papel reciclado compressado (principalmente jornais usados). A designer também desenvolveu urnas ecológicas totalmente biodegradáveis, produzidas com o mesmo material e disponíveis em diversas cores. Uma boa notícia para o momento em que o planeta registra mais de seis bilhões de habitantes, e uma degradação ambiental jamais vista.


Fonte: http://www.cemiteriosp.com.br/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Passeio à noite em cemitério vira atração turística de El Salvador

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL1290149-6091,00-PASSEIO+A+NOITE+EM+CEMITERIO+VIRA+ATRACAO+TURISTICA+DE+EL+SALVADOR.html