Turismo Cemiterial


Cemitérios são lugares fascinantes, cheios de curiosidades, símbolos, obras de arte e mistérios. O lugar escolhido para o repouso eterno de entes queridos pode ser também uma ilha de silêncio e paz, onde se pode repensar a vida, e caminhar por dentro de si mesmo. A arte cemiterial possui peculiaridades que convidam a uma análise minuciosa, desprovida de preconceitos.
Visite um cemitério. A morte faz parte da vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Padre bebum chega atrasado para funeral


O padre da Igreja de Saint-Jean, na pequena vila de Muret, no sul da França, chegou bêbado e atrasado para um funeral que realizaria, e, como se não bastasse, ainda deu uma porrada em um dos presentes no velório.O pároco, cuja embriaguez foi confirmada por um exame, foi detido pela polícia e agora responderá na Justiça pela agressão que cometeu. Segundo informações, por volta das 10h50 (5h50 de Brasília) de terça-feira (30),o padre, natural de Burkina Fasso e de 46 anos, chegou com atraso e visivelmente bêbado para o funeral. Segundo uma testemunha, o bebum cambaleava e mal conseguia falar.
- Insistiu em celebrar o velório, mas nós nos opusemos.
Como o religioso só pronunciava sons sem sentido, os funcionários da funerária contratada interromperam o sermão e pediram ao pároco que se desculpasse com os familiares e amigos da mulher cujo corpo estava sendo velado. O padre se recusou a atender ao pedido e reagiu violentamente, dando um soco em um amigo do filho da falecida.Pouco tempo depois, chegou a polícia, que, após comprovar que o sacerdote tinha bebido umas a mais, levou o padre pro xadrez.Em nota, o arcebispado se disse "consternado" com o ocorrido, pediu perdão à família e à comunidade de Muret, e garantiu que tomará todas as medidas necessárias para que o pároco "consiga se livrar de sua dependência em relação ao álcool".


http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/padre-bebum-chega-atrasado-para-funeral-20100331.html

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cantor briga na Justiça para ter um cemitério em casa


Um cantor quer ter um cemitério no quintal de casa para guardar os restos mortais do pai e da mãe. O caso ocorre em Serra Talhada, no sertão de Pernambuco. Rui Grudi guardava em casa os crânios do pai e da mãe numa vitrine, que ele chama de "fiteira", construída especialmente para que os ossos ficassem expostos .
O músico, nascido em Minas Gerais, chegou a manter os crânios dentro de casa por dez anos até que a história chegou aos ouvidos da juíza de Serra Talhada, Eliane Carvalho. “Isso é um crime previsto no artigo 210 do Código Penal, que é violação de sepultura”, explicou a juíza.
Agora, Rui Grudi está seguindo os trâmites exigidos por lei para retornar com os restos mortais dos pais para o cemitério particular que ele pretende construir numa parte da chácara onde mora.

“ Registrando esse cemitério, eu vou trazer meu pai e minha mãe, que foi a coisa que eu mais amei na minha vida”, disse Rui Grudi.

http://oglobo.globo.com/blogs/naoencontrada/posts/2010/02/08/cantor-briga-na-justica-para-ter-um-cemiterio-em-casa-264654.asp

quarta-feira, 24 de março de 2010

Túmulo de Isabella Nardoni se torna local de romaria


Às vésperas de completar o segundo ano do aniversário de sua morte, e no momento em que o julgamento dos suspeitos pela sua morte acontece e movimenta a midia brasileira, o túmulo da menina Isabella Nardoni se transforma em local de peregrinação e desabafo. A sociedade se sente comovida e indignada diante da morte brutal de uma criança tão frágil, e tão jovem, que poderia ser nossa irmã, ou nossa filha. Esse tipo de sentimento não é fabricado pela midia, é inerente a todos nós. A busca pela sepultura da menina é uma maneira de se aproximar do problema e dizer: eu me sinto solidário.

O túmulo de Isabella Nardoni, que morreu em 29 de março de 2008, ao ser jogada do 6º andar de um prédio na Zona Norte de São Paulo, é um dos mais visitados do cemitério Parque dos Pinheiros, em São Paulo.

Conheça o caso http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL386739-5605,00-VEJA+A+CRONOLOGIA+DO+CASO+ISABELLA.html

domingo, 21 de março de 2010

Ayrton Senna

Fãs de Ayrton Senna foram neste domingo ao túmulo do tricampeão mundial da Fórmula 1, no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. Se estivesse vivo, o piloto completaria 50 anos neste dia 21 de março de 2010. 

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Formula_1/0,,MUL1538642-15011,00-FOTO+FAS+PRESTAM+HOMENAGENS+NO+TUMULO+DE+AYRTON+SENNA+EM+SAO+PAULO.html

terça-feira, 16 de março de 2010

Desaparece o corpo de James Brown







De acordo com LaRhonda Pettit, filha do cantor e compositor norte-americano, James Brown, o corpo de seu pai foi roubado.
A lenda do Soul morreu no dia 25 e dezembro de 2006, e desde então estava sendo mantido na casa de outra filha, Deanna, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, enquanto um mausoléu, digno da grandeza do ídolo, estava sendo construído para abrigar o corpo. LaRhonda deu uma entrevista ao jornal “Daily Mirror” afirmando não ter idéia de para onde o corpo de seu pai possa ter sido levado. Disse ainda que teve negada a oportunidade de promover uma autópsia para determinar a verdadeira causa da morte de Brown. Insinuou que talvez Deanna tenha desaparecido com o corpo para que a verdadeira causa da morte não seja descoberta. A filha do astro está convencida de que a morte de seu pai não está bem esclarecida, e a única maneira de desfazer o mistério seria exumando o corpo.
A confusão pode estar relacionada com a briga judicial em torno da herança do cantor. LaRhonda Pettit não foi nomeada no testamento deixado por James Brown.



Jornal O Tempo, Lupa, 13 de março, p. 12

sábado, 13 de março de 2010

Regras para se viver no além

Arqueológos franceses descobriram no Egito inscrições que ensinam as múmias como sobreviver no outro mundo. Os egípcios de 4000 anos atrás não tinham dúvidas sobre a vida após a morte, e deixaram para a rainha Behenu, inscrito em pedra, uma espécie de manual de sobrevivência após a morte.
Os hieroglifos recomendavam, entre outras coisas, qual a dieta ideal, basicamente pão e frutas, para a rainha não passar fome, e traziam também instruções sobre como subir às estrelas do céu do norte, onde os reis poderiam chegar voando, subindo uma rampa, ou mesmo uma escada. Os arqueólogos encontraram também fragmentos de textos religiosos que estão entre os mais antigos do mundo.


Jornal O Tempo, 13 de março de 2010. Interessa. p.21

sexta-feira, 5 de março de 2010

Jizo, o guardião das almas das crianças na cultura japonesa



Eles estão espalhados por todos os lados. Nas ruas das cidades japonesas, no interior, em cemitérios e também em templos budistas, é comum se deparar com uma estatuazinha simpática, na forma de um menino sem cabelo. O Jizo não serve apenas como simples decoração. Ele é considerado o guardião das crianças. Nos cemitérios aparecem enfeitadas com lenços vermelhos, gorros ou roupas infantis, em sinal de agradecimento pela proteção cedida a todas as crianças.
As estátuas do Jizo, uma divindidade que protege a alma das crianças, são parecidas umas com as outras e variam apenas em tamanho e trajes
Ainda hoje, as pessoas reverenciam a divindade budista que protege os bebês que viveram por pouco tempo, amenizando o sofrimento das almas infantis. Seu culto não é uma tradição oficial, mas sim uma resposta à necessidade humana de amenizar o sofrimento das mulheres que sofrem aborto.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Danos produzidos aos cemitérios pelo terremoto no Chile


Os primeiros informes relatam que embora tenha havido alguma destruição, a maior parte do acervo artistico e arquitetônico dos principais cemitérios resistiu ao abalo. Os estragos nos cemitérios foram considerados menores do que os observados no abalo de 1985.
Já foram iniciadas medidas para coibir furtos e vandalismo,  e evitar a remoção de escombros.
E espera-se privilegiar a restauração ao invés das demolições. Membros do projeto "La Ciudad de los muertos" já estão trabalhando na avaliação dos danos e recuperação.




Fonte: http://www.laciudaddelosmuertos.org/

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Arqueólogos encontram antigos poços funerários no norte do Amapá

Sítio tem cerca de mil anos, diz pesquisador do Iepa.
No local, foram encontradas peças de cerâmica com formas humanas.



Uma equipe de arqueólogos descobriu dois poços funerários com vasos de cerâmica num sítio em Calçoene, no norte do Amapá. O local já era conhecido desde 2006 por causa de círculos de pedra que foram encontrados sobre o solo. Agora, no entanto, o grupo liderado por João Saldanha e Mariana Cabral, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) explorou o que havia sob as grandes placas rochosas depositadas no local.
Saldanha explica que os poços têm cerca de mil anos e que os vasos encontrados são surpreendentes porque têm formas humanas, como as cerâmicas encontradas pelo célebre pesquisador Emílio Goeldi no século XIX na região do Cunani. (foto acima)
O povo que cavou os poços tinha por hábito descarnar e separar os ossos de seus mortos, colocando-os em grupos separados nas urnas funerárias acomodadas em câmaras laterais ao buraco principal no solo. Os círculos de grandes pedras sobre o solo caracterizam que o local tinha função religiosa.
De acordo com Saldanha, há atualmente na região do Oiapoque índios que têm modo semelhante de sepultamento, mas não está claro se seriam descendentes do povo que viveu em Calçoene.
http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1508952-16052,00-ARQUEOLOGOS+ENCONTRAM+ANTIGOS+POCOS+FUNERARIOS+NO+NORTE+DO+AMAPA.html

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Feira de luxo vende caixão de ouro equipado com telefone

Um caixão de ouro equipado com um telefone móvel avaliado em 280 mil euros (381 mil dólares) está entre os artigos à venda numa feira de artigos de luxo na Itália. O  telefone móvel no caixão é para enviar mensagens aos parentes caso a pessoa seja enterrada viva por engano, explicam os criadores.

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http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_21/2010/02/26/ficha_verpracrer/id_sessao=21&id_noticia=21327/ficha_verpracrer.shtml

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Edificio funerário moderno

Aparentemente não há aqui nenhuma construção, apenas jardins e muros. E, no entanto, é neste local que se localiza a morgue da cidade de León, um edifício que ocupa uma área extensa mas que tem a particularidade de se encontrar enterrado no solo. Não possui por esse motivo fachadas viradas à rua e o elemento com maior visibilidade é o lago artificial que lhe serve de cobertura mas que se confunde com a paisagem. Clarabóias em betão emergem do solo juntamente com uma rampa também em betão por onde se faz a entrada. Tudo é discrição e sobriedade neste espantoso edifício funerário.

Os seus autores, Jordi Badia e Josep Val (BAAS Arquitectos) projectaram-no deste modo dissimulado junto de uma área residencial e enterrado no solo, fazendo referência aos ancestrais rituais de enterramento. O interior do edifício, todo em betão com aplicações de madeira, como se fosse ele mesmo um túmulo, é iluminado exclusivamente por pequenos pátios e clarabóias e dali apenas se pode ver o céu. A sobriedade e o despojamento do conjunto convida à reflexão e ao silêncio.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O turismo cemiterial na literatura


Muitos escritores talentosos brindaram os leitores com histórias de seus passeios a cemitérios. Este é um belo conto de Lima Barreto intitulado "O Cemitério".


"Pelas ruas de túmulos, fomos calados. Eu olhava vagamente aquela multidão de sepulturas, que trepavam, tocavam-se, lutavam por espaço, na estreiteza da vaga e nas encostas das colinas aos lados. Algumas pareciam se olhar com afeto, roçando-se amigavelmente; em outras, transparecia a repugnância de estarem juntas. Havia solicitações incompreensíveis e também repulsões e antipatias; havia túmulos arrogantes, imponentes, vaidosos e pobres e humildes; e, em todos, ressumava o esforço extraordinário para escapar ao nivelamento da morte, ao apagamento que ela traz às condições e às fortunas.



Amontoavam-se esculturas de mármore, vasos, cruzes e inscrições; iam além; erguiam pirâmides de pedra tosca, faziam caramanchéis extravagantes, imaginavam complicações de matos e plantas - coisas brancas e delirantes, de um mau gosto que irritava. As inscrições exuberavam; longas, cheias de nomes, sobrenomes e datas, não nos traziam à lembrança nem um nome ilustre sequer; em vão procurei ler nelas celebridades, notabilidades mortas; não as encontrei. E de tal modo a nossa sociedade nos marca um tão profundo ponto, que até ali, naquele campo de mortos, mudo laboratório de decomposição, tive uma imagem dela, feita inconscientemente de um propósito, firmemente desenhada por aquele acesso de túmulos pobres e ricos, grotescos e nobres, de mármore e pedra, cobrindo vulgaridades iguais umas às outras por força estranha às suas vontades, a lutar...
Fomos indo. A carreta, empunhada pelas mãos profissionais dos empregados, ia dobrando as alamedas, tomando ruas, até que chegou à boca do soturno buraco, por onde se via fugir, para sempre do nosso olhar, a humildade e a tristeza do contínuo da Secretaria dos Cultos.
Antes que lá chegássemos, porém, detive-me um pouco num túmulo de límpidos mármores, ajeitados em capela gótica, com anjos e cruzes que a rematavam pretensiosamente.
Nos cantos da lápide, vasos com flores de biscuit e, debaixo de um vidro, à nívea altura da base da capelinha, em meio corpo, o retrato da morta que o túmulo engolira. Como se estivesse na Rua do Ouvidor, não pude suster um pensamento mau e quase exclamei:
— Bela mulher!
Estive a ver a fotografia e logo em seguida me veio à mente que aqueles olhos, que aquela boca provocadora de beijos, que aqueles seios túmidos, tentadores de longos contatos carnais, estariam àquela hora reduzidos a uma pasta fedorenta, debaixo de uma porção de terra embebida de gordura.
Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência, nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve, instantâneo, e fugaz.


Abalei-me! Eu que dizia a todo o mundo que amava a vida, eu que afirmava a minha admiração pelas coisas da sociedade - eu meditar como um cientista profeta hebraico! Era estranho! Remanescente de noções que se me infiltraram e cuja entrada em mim mesmo eu não percebera! Quem pode fugir a elas?
Continuando a andar, adivinhei as mãos da mulher, diáfanas e de dedos longos; compus o seu busto ereto e cheio, a cintura, os quadris, o pescoço, esguio e modelado, as espáduas brancas, o rosto sereno e iluminado por um par de olhos indefinidos de tristeza e desejos...
Já não era mais o retrato da mulher do túmulo; era de uma, viva, que me falava.

Com que surpresa, verifiquei isso
Pois eu, eu que vivia desde os dezesseis anos, despreocupadamente, passando pelos meus olhos, na Rua do Ouvidor, todos os figurinos dos jornais de modas, eu me impressionar por aquela menina do cemitério! Era curioso.
E, por mais que procurasse explicar, não pude."

Lima Barreto

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Características exclusivas da arte tumular


Houve um tempo em que os cemitérios eram praticamente o único lugar onde os artistas podiam exercitar sua liberdade criativa. A falta de controle e censura acabou por conferir características muito peculiares à arte tumular. Foi um momento particularmente interessante por exemplo, para que os anjos ganhassem sexo, e não raro também alguma dose de erotismo.A beleza e a sensualidade estão muito presentes, e algumas peças com certeza provocariam escândalo, se expostas em outros locais. Existe a possibilidade de que a natureza do local, e o fato de ser visto como espaço maldito, tenha terminado por proteger a liberdade criativa, e o que se vê ornando alguns túmulos, seria digno de grandes galerias de arte.


Mesmo as carpideiras, que tiveram um papel tão importante no passado, agora em pedra e bronze, ainda demonstram toda a sua feminilidade nas vestes esvoaçantes, eternizadas em seu pranto infinito.  Já foram catalogados mais de 700 símbolos na arte cemiterial, e alguns ainda em fase de pesquisa para se compreender porque seriam utilizados nas tumbas.
A incrível beleza plástica já justifica uma visita despretensiosa a um cemitério, mas aos poucos o país vai percebendo que as visitas monitoradas, com guias preparados para explicar os símbolos e as peças artisticas, e as informações coletadas, tornam o passeio muito mais rico e prazeroso.

Imagens: Anjos - Cemitério de Ribeirão Preto
                  Último adeus (túmulo da família Cantarella) - Obra de Alfredo Oliani

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cemitério espanhol recicla cinzas em jardim aromático


A prefeitura de Barcelona inaugurou, no maior cemitério da cidade, um espaço em que as cinzas de defuntos cremados são usadas como adubo de um jardim de ervas aromáticas.  A idéia por trás do que as autoridades estão chamando de "o cemitério mais ecológico do mundo" é permitir que as cinzas possam ser recicladas no mesmo recinto em que família recordam seus entes queridos. Cada cliente terá a opção de depositar as cinzas em uma urna biodegradável ao lado da planta ou de enterrá-las diretamente para que sirvam de adubo de uma planta aromática, escolhida entre três espécies: alfazema, alecrim e sálvia. Ao lado de cada planta no chamado Jardim dos Aromas haverá uma placa de identificação do falecido. A família tem direito de levar algumas mudas para casa quando a erva crescer.O novo espaço funciona dentro do cemitério municipal de Montjuic.
 


O projeto do jardim surgiu da preocupação com o aumento do número de cremações na cidade. Segundo a prefeitura, em 2008 foram 6.782 serviços nos seis fornos crematórios municipais. Na nota à imprensa o diretor do departamento de cemitério de Barcelona, Jordi Carnes disse que "depois da cremação muitas pessoas têm o hábito de espalhar as cinzas de seus finados em lugares que nem sempre são adequados". "Por isso pensamos em um espaço ecológico". Uma área com 620 metros quadrados onde caberiam aproximadamente 700 mudas de plantas para defuntos.O novo serviço custará 350 euros (cerca de mil reais) por dois anos. A partir do terceiro ano, a taxa de manutenção será de 35 Euros (aproximadamente R$ 100,00). O contrato inclui a semente, plantio e cultivo da erva escolhida, além da lápide indicativa com os dados do defunto. O que está proibido é deixar recordações ao lado da erva medicinal. Nada de velas, fotos, objetos pessoais ou flores.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/03/090330_cemiteriobarcelonaai.shtml

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carpideiras


Um ofício da Idade Média extinto há dois séculos está sendo resgatado na Espanha para salvar a economia de muitas donas-de-casa em tempos de crise. Com a condescendência de sacerdotes católicos de paróquias rurais, estão de volta as carpideiras, mulheres que recebem dinheiro para rezar e chorar por mortos desconhecidos.


A tradição europeia das carpideiras, que atuam em dias de Finados, enterros, missas e datas como aniversários de mortes, foi proibida no século 18. No entanto, com a crise econômica mundial, parte do clero espanhol decidiu ser mais flexível, permitindo que as famílias consigam um dinheiro extra.
Para rezar e chorar por um morto desconhecido, as mulheres recebem entre 20 e 30 euros (cerca de R$ 60 a R$ 90) por dia.
Em datas como o feriado de Finados, o trabalho inclui ir ao cemitério, lustrar a lápide, trocar as flores, rezar e recitar salmos pelo morto. Ao contrário das profissionais da Europa medieval que gemiam alto, chegando a rasgar parte das roupas, davam socos no peito e até arrancavam fios de cabelo durante as atuações nas missas e funerais, as novas carpideiras do século 21 são discretas e rezam em silêncio.
Foi por estas encenações, consideradas escandalosas pelo Vaticano, que o ofício passou a ser perseguido a partir do século 13, até a proibição no século 18. A Igreja Católica ameaçou de excomunhão a quem continuasse chorando e gemendo alto por um morto desconhecido em troca de dinheiro, também porque as atuações assustavam os fiéis e incomodavam os sacerdotes que tinham de gritar para ser escutados durante as cerimônias.


Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091102_choradeiras_ai_ac.shtml

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Roteiros insólitos

O fascínio por lugares com fama de mal-assombrados tem atraído turistas a passeios que misturam bom humor, história e folclore. Desde 2006, a Secretaria Municipal de Turismo do Recife (PE) realiza, gratuitamente, em noites de lua cheia e de sextas-feiras 13, a trilha “Lendas do Recife”, que recebe até 5 mil pessoas por edição.

O roteiro inclui o rio Capiberibe, onde acredita-se que o fantasma Vira-roupas assusta as lavadeiras, e o Teatro Santa Isabel, onde há quem escute aplausos durante a noite. Enquanto turistas recebem vela e pergaminho, os guias representam lendas como Perna Cabeluda, que chuta pedestres e Laura Cemitério, conhecida por seduzir os homens que passam em frente ao cemitério Santo Amaro.

“Elaboramos o roteiro para despertar o interesse da população pela história da cidade, onde são presentes lendas e a idéia do macabro”, descreve Renato Barbosa, um dos criadores do passeio.

São Paulo também possui lendas, como a da loira do edifício Martinelli, no Centro, atração do passeio “São Paulo do Outro Mundo”. “Quando lançamos o circuito, em 2000, eram quatro vezes por ano. A procura foi tanta que agora fazemos uma vez por mês, com grupos de 20 a 42 pessoas. Brincamos com histórias de fantasmas, sem sensacionalismo”, afirma o criador Carlos Roberto Silvério. Para envolver o turista, é entregue um “kit lanche fúnebre”, embrulhado em papel negro e fita rocha, e o ônibus é decorado com teias de aranha, crânios e crisântemos (flores típicas de velórios), e tem música ambiente de vampiros e fantasmas. Entre os pontos visitados, estão os cemitérios do Araçá e da Consolação, o edifício Joelma, onde 200 pessoas morreram num incêndio; e o bairro da Liberdade, considerado o mais mal-assombrado, pois lá foi construído o primeiro cemitério da cidade.

No Rio de Janeiro, entre 1994 e 2001, havia um passeio pelos lugares mais assutadores da Cidade Maravilhosa, caso do Teatro Municipal, onde há quem tenha visto o poeta Olavo Bilac (1865-1918) declamando o discurso de inauguração, e o Museu Histórico Nacional, que dizem ser palco de debates entre oradores fantasmas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Viagem póstuma


Nos últimos dois anos, Ralph B. White viajou por várias partes do mundo, passando por lugares como Nepal, China, Mongólia, Austrália, Ruanda, Itália, Islândia, Benin e Zanzibar.

Mas, na verdade, Ralph esteve presente nessas localidades mundo afora em forma de cinzas. Sim, ele morreu em 4 de fevereiro de 2008, aos 66 anos.

Desde então, a última companheira e amigos de Ralph passaram a levar pacotinhos com cinzas do americano aos lugares que visitam. Os restos mortais dele estão sendo depositadas em terra e mar.

"Mais do que ficarmos de luto por ele, ele queria incentivar as pessoas a desenvolver o espírito da aventura", disse Rosaly Lopes (na foto, jogando as cinzas de Ralph no Coliseu de Roma).

Ralph e Rosaly faziam parte de Adventurers' Club of Los Angeles.

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/posts/2010/01/20/viuva-amigos-espalham-cinzas-de-americano-pelo-mundo-259182.asp

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sindrome de Cotard


A síndrome de Jules Cotard ou delírio niilista é uma rara desordem no qual a pessoa tem a crença de que já está morta, que não existe, que está apodrecendo e perdeu os órgãos internos. Alguns doentes inclusive chegam a perceber o cheiro de sua carne em putrefação ou sentem como os vermes os estão devorando.

Um caso famoso da síndrome Cotard descreve uma mulher que estava tão convencida de sua morte que fazia questão de vestir um sudário e dormia num caixão. Pediu para ser enterrada e como seus familiares se negaram, permaneceu em seu caixão até que faleceu algumas semanas depois. Há outro caso de um homem que depois de um grave acidente pensou que já estava morto, e quando o transladaram a sua cidade natal, na África, pensou que estavam levando-o para o inferno, pelo calor que ali fazia.

A doença se caracteriza por forte depressão, e é agravada pelo medo da morte, o que leva o paciente a vivenciá-la, talvez pelo pavor que a  mesma lhe cause.




Em 28 de junho de 1880, em sessão da Société Médico-psychologique de Paris, Cotard apresentou o caso de uma mulher de 43 anos que acreditava que “não tinha cérebro, nervos, seios ou entranhas, que era somente pele e osso e que nem Deus e o diabo existem”. Dizia não necessitar de alimentos porque “era eterna e viveria para sempre”. Havia pedido para ser queimada viva e fizera várias tentativas de suicídio.

Cotard tinha consciência de que casos parecidos haviam sido descritos por vários psiquiatras, dentre eles Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840). O diagnóstico que Cotard fez da sua paciente é de que ela apresentava o que então era conhecido por lipemania (categoria proposta por Esquirol para definir um episódio de depressão psicótica). Cotard admitia que o delírio hipocondríaco resultava de “uma interpretação da sensação patológica geralmente presente em pacientes com melancolia ansiosa”. Ele sugeriu ainda que uma forma similar de delírio deve ter contribuído para propagar a crença na chamada demoniomania.

Cotard estava convencido de que havia encontrado um novo tipo de lipemania, cujas principais características seriam melancolia ansiosa, idéias de danação ou possessão, comportamento suicida, insensibilidade para a dor, delírios de imortalidade e de não-existência envolvendo a pessoa como um todo ou partes do corpo. 


 


A mente – por mais complexa e poderosa que seja – é apenas um produto do cérebro. Essa é uma afirmativa que permeia todo o conhecimento científico contemporâneo e foi expressa pela primeira vez por Charles Darwin (1809-1882), em meados do século XIX. Se não pudemos ainda desvendar a assombrosa complexidade dos neurônios, o que dizer dos processos que levam a falhas de comunicação entre eles? Ainda não sabemos com precisão tudo o que resulta dessas incorreções, mas nada nos impede de admirar sua grandiosidade. O espanto nos domina quando ouvimos o paciente com a síndrome de Cotard falar dos seus delírios de imortalidade. Talvez porque, no fundo, tenhamos uma ponta de inveja dissimulada. Quantos de nós, ainda hoje, como Fausto, o personagem criado pelo escritor Johann Wolfgang von Goethe, não selaríamos de bom grado um pacto com o diabo, em troca da vida eterna?


Fonte: Revista Mente e Cérebro edição 186 - Julho 2008
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/o_pacto_com_o__diabo_e_a_vida_eterna_imprimir.html
 




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Túmulo de Nietzsche ameaçado

Nem após a morte o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) consegue sossego.





O túmulo do autor de Assim falou Zaratustra está ameaçado por um empreendimento de mineração que pode tirar do mapa a localidade de Roecken, onde descansa há 110 anos, nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental.

O grande projeto de minas de carvão a céu aberto da Mibrag é destinado a alimentar usinas na Alemanha, em substituição à energia nuclear.

Enterrado aos pés de uma igreja medieval, Nietzsche é o principal orgulho - e apelo turístico - da região.
O túmulo, orgulho dos habitantes de Roecken,  se encontra ameaçado por um projeto de mineração que pode tirar do mapa esta localidade nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental. O autor de "Assim falou Zaratustra" descansa perto de seus entes queridos sob uma lápide de granito e mármore rosa, aos pés de uma igreja da Idade Média.
Só que a região agora é objeto de um grande projeto de minas a céu aberto destinado a alimentar as centrais na Alemanha, um país que deu as costas à energia nuclear. Os resultados do estudo que se realiza atualmente sobre o subsolo determinarão a viabilidade das intenções da mineradora Mibrag e, portanto, o futuro dos habitantes da localidade. Entretanto, Roecken se apóia em seu filho predileto. "Nietzsche é nosso único trunfo", afirma Dorothee Berthold, diretora da associação criada para tentar vencer a Mibrag, uma empresa controlada por investidores americanos. A mineradora pede calma, alegando que ainda não existe nada decidido e que "o horizonte eventual" de seu projeto é 2025."Ainda podem acontecer muitas coisas até lá", garante.
O túmulo do filósofo, no entanto, atrai a cada ano apenas 1.500 visitantes, que aproveitam a viagem para visitar um pequeno museu ao lado da igreja e observar a casa na qual viveu até os cinco anos.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u388231.shtml

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Na hora da nossa morte, amém

A Dra. Louisa Rhine, pesquisadora do laboratório de parapsicologia da universidade de Duke, estudou vários casos de relógios que pararam de funcionar no momento da morte do seu proprietário. Num desses casos, um morador do Canadá relatou à Dra. Rhine o que ocorreu em sua família por ocasião da morte do irmão de sua cunhada. Quando o doente terminal morreu, às 6:24h, ele telefonou para a família e para o médico, e em seguida preparou algo para que os visitantes pudessem comer. Além disso, era necessário ficar observando o relógio, porque a agência funerária chegaria às 9:30h. Durante o café, um dos visitantes perguntou as horas, a cunhada do depoente consultou um relógio de bolso que lhe foi dado pelo seu irmão falecido; ao ver as horas, ela teve uma terrível surpresa: o relógio marcava também exatamente a hora e os minutos em que seu irmão morrera.
Para ter certeza de que aquilo não era uma estranha coincidência, ela pediu ao seu outro irmão que desse corda, para saber se ele parara por falta desta. O relógio ainda tinha três quartos de corda.
Fonte: http://curiosidadesonline.wordpress.com/2009/02/19/a-hora-da-morte/